Pesquisa
De volta ao blog

Quebrando preconceitos: por que falar de aborto é falar de vida?

Em um tempo de tantas mudanças e de repensar nosso modo de viver, aqui na tuga decidimos que 2021 seria um ano de ampliar a discussão de temas que são considerados tabus, mas que precisam ser falados e considerados nas transformações em que nossa sociedade está passando – e precisa passar.

Assim, a cada mês, levantaremos em nossas redes sociais e aqui em nosso blog um tema que foi votado por nossas seguidoras no comecinho do ano, em uma enquete que fizemos. Como um dos primeiros temas do ano, tivemos o machismo, e falamos bastante dele em fevereiro. Para março, vamos com o segundo mais votado: a legalização do aborto.

Como uma empresa que aluga roupas de bebês, que preza pelo cuidado e o amor por esses pequenos, para muita gente pode parecer estranho que a gente escolha falar sobre um tema tão polêmico. Mas, aqui na tuga, valorizamos o cuidado, as escolhas conscientes e, principalmente, a vida. Por isso, falar sobre legalização do aborto, é algo necessário e que tem tudo a ver com a gente.

A saber, o aborto ilegal é a quarta causa de morte materna no Brasil. E mulheres negras, menores de 14 anos e moradoras da periferia são as que mais morrem após interrupções da gravidez realizadas de forma insegura. De acordo com publicações do Ministério da Saúde, há dados de que, por ano, ocorrem entre 500 mil e 800 mil abortos provocados no Brasil.

Essas informações deixam claro que muito antes de uma questão pessoal ou religiosa, o aborto ilegal é uma realidade e que o descaso governamental em diversos âmbitos tem consequências seríssimas em nossa sociedade. Assim, discutir sobre ele não é algo para se fazer a partir de nossa realidade e de nossas crenças do que é certo ou errado. É preciso ampliar o olhar, furar nossa bolha, entender o país em que vivemos e o que queremos para nossas mulheres.

E é isso que diversos países ao redor do mundo já fazem. Ao tratar desse assunto de forma responsável e o conectando com ações educacionais e campanhas de contracepção, países como Inglaterra (ano da legalização: 1969), França (1975), Itália (1978), Portugal (2007), Estados Unidos (1973) e Canadá (1969) viram transformações em seus números de mortalidade feminina e justamente uma diminuição nos casos de aborto.

De acordo com matéria do portal UOL, em Portugal foram realizados 18.607 procedimentos em 2008, primeiro ano de vigência da lei que permite a interrupção até a 10ª semana de gestação. Quatro anos depois, o país começou a registrar uma queda no número de intervenções, chegando a 14.928 procedimentos em 2018, por exemplo. Já no Uruguai, nos primeiros meses após a legalização (entre dezembro de 2012 e maio de 2013) nenhuma morte por aborto foi registrada.

É importante se destacar também que falar de legalização de aborto é falar da responsabilidade de se trazer uma criança para o mundo, e isso está longe de ser uma questão apenas feminina. É preciso também falar sobre contracepção e o papel dos homens nesse processo. Uma fala muito importante nesse sentido é a da jornalista Helena Bertho, em seu texto para a Revista Azmina. Vamos colocar aqui um trechinho:

“É essencial falar sobre essa possibilidade de escolha. Assim como é essencial falar da responsabilidade das pessoas que colocam um filho no mundo. E, também da responsabilidade que vem antes disso: a da contracepção.

Os homens cis têm que participar muito mais dessas duas responsabilidades, a de prevenir a gravidez e a de assumir a responsabilidade quando ela acontece.

É muito fácil dizer que a camisinha incomoda e depois sumir.”

Esse ponto é importantíssimo. Afinal, não podemos esquecer que ao contrário de grande parte das mulheres que tem filhos de forma indesejada, mas seguem criando e sendo responsáveis por essas crianças, a taxa de homens que abandonam seus lares é altíssima. No Brasil, por exemplo, 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai na identidade.

Como esse assunto é longo e dá muito pano para a manga, voltaremos nele mais para frente, em outros artigos para o blog.

Mas, antes de fechar o texto, vamos colocar aqui embaixo algumas indicações de livros que achamos importantes para essa discussão e, também links de matérias que nos ajudaram a embasar esse artigo.

Se você já leu algum deles, conta para a gente o que achou 😊

Livros:

Aborto e contracepção, histórias que ninguém conta
Autora: Silvia Maria Favero Arend e Outras

Uma lei para a história
Autora: Simone Veil

Pró: reivindicando os direitos ao aborto
Autora: Katha Pollitt

Direito de decidir
Autora: Maia Bara

Matérias:

“Aborto é a quarta causa de morte materna no Brasil”, afirma pesquisadora
https://www.brasildefato.com.br/2018/07/31/aborto-e-a-quarta-causa-de-morte-materna-no-brasil-afirma-pesquisadora/

As maiores vítimas do aborto no Brasil
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2020/02/21/as-maiores-vitimas-do-aborto-no-brasil.htm

Por que defender que o aborto seja legalizado?
https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/01/05/por-que-defender-que-o-aborto-seja-legalizado.htm

E esse tal de aborto paterno?
https://azmina.com.br/colunas/e-esse-tal-do-aborto-paterno/

Comentários
Deixe seu comentário Close Comment Form
Fechar