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Novos hábitos de consumo para um país em crise

Novos hábitos de consumo para um país em crise

Autor do texto: Daniel Perez

Estamos vivendo um momento bastante crítico no Brasil. A economia brasileira não dá sinais de melhoria, temos a alta do dólar, a exportação apresenta desaceleramento, dentre outros fatores que contribuem negativamente para o consumo do brasileiro.

Segundo dados obtidos em outubro deste ano pelo IBGE, a produção da indústria no país recuou 0,7%. Quando falamos de confecção de artigos do vestuário e acessórios, por exemplo, a queda foi de 1,6%. 

Esse poderia ser um dado positivo, se pensarmos que o mundo já não precisa de mais roupas, nãoe é mesmo? Mas, infelizmente, a realidade é um pouco mais complexa,e essa redução da produção foi um impacto diretamente relacionado à pandemia, quando as pessoas deixaram de comprar roupas. Isso ocasionou também alta no desemprego no setor e o fechamento de muitas empresas. 

Todos esses fatores além de afetar a vida de muitas pessoas diretamente, ainda impactaram no coletivo. Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontam que a inflação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está prevista para ter um aumento de 5,9% para 7,1% em 2021.

Mas, afinal, o que todos esses dados têm a ver com você?

Na prática, tudo fica mais caro! Basta dar uma volta no mercado e podemos perceber os preços elevadíssimos, não é mesmo? E muitos desses produtos são essenciais para nós e o nosso lar, havendo poucas alternativas para substituição ou ausência deles. Assim, o que nos resta, infelizmente, é improvisar. E repensar.

Sim, uma situação tão negativa como essa que estamos passando, tem feito com que se repense muitas coisas e que pessoas, governos e empresas comecem a se preocupar com a crise ambiental que se anuncia. 

Assim, nosso convite para quem já está atento a isso, é começar a questionar, por exemplo, a forma com que consumimos. Quando olhamos para o setor têxtil, por exemplo, que tipo de prática positiva poderíamos adotar nesse período que estamos vivendo? Simplesmente deixar de comprar vai resolver nosso problema? E quando houver a necessidade da compra, ou até mesmo a vontade de algo diferente no guarda-roupa, o que fazer?

Para essas respostas, que tal pensar em moda circular?

A cultura da moda circular está muito presente na nossa sociedade, mas de um jeito muito orgânico e pontual. Irmão transfere suas roupas para o caçula, vizinhos que doam peças que não usam mais, grupo de amigas que realizam trocas entre si...dentre vários outros exemplos de como esse método já faz parte da nossa realidade.

Com o avanço tecnológico, hoje temos acesso a formas de consumo circular de uma maneira mais organizada, acessível, dentro daquilo que precisamos e no período que vai atender nossas necessidades e com opções de pagamento e entregas que atingem uma maior amplitude nacional. Consumir de forma consciente e mais sustentável em apenas alguns cliques!

A crise mundial está potencializando uma transformação no modo de consumir as coisas, o que pode nos servir como estímulo ao incentivo a novos modelos de negócios. Quando apoiamos novas iniciativas de economia circular, assim como os pequenos produtores e o comércio regional, isso tudo vai além de uma ação para o meio ambiente. Profissionalizar esse mercado é fazer com que ele tenha impactos na economia como um todo e que assim se torne uma fonte de emprego e novas alternativas de um trabalho mais justo.

Mas o que isso pode ajudar no seu bolso?

Quando pensamos em moda circular, pensamos também em consumir aquilo que realmente precisamos. Com isso, o investimento é mais certeiro. Tomando como exemplo a tuga: quando a família escolhe alugar ao invés de comprar, a renda familiar já é adaptada para aquele período que ela deseja ficar com as peças, dentro do tamanho que cabe no bebê. Quando ele cresce, ao invés de comprar, os papais alugam novas pecinhas, num preço mais em conta do que peças novas e no novo tamanho da criança. Em resumo, o gasto com roupas para o pequeno tem uma redução de até 40%. Vale também dizer que ao optar por não comprar uma peça nova, a família não contribui para mais e mais peças sendo desperdiçadas e um aumento do resíduo têxtil, que apresenta dados alarmantes e em crescimento constante.

Por fim, a tuga é uma pequena empresa, localizada no Rio de Janeiro, que traz uma iniciativa sustentável para o mundo e funcional para as famílias e é liderada por uma mulher.

O consumo circular não é uma varinha de condão, que num passe de mágica fará com que tudo fique melhor, mas com certeza é uma maneira muito mais consciente de adquirir aquilo que queremos ou precisamos, alinhado com o cuidado que temos que ter para com o nosso Mundo. Novos hábitos coletivos de consumo ajudam sim um país e planeta em crise!

 

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