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Como incentivar sua família a ter um consumo mais consciente?

Como incentivar sua família a ter um consumo mais consciente?

Você começa a separar os seus resíduos, substitui sua bucha de lavar a louça, troca seu desodorante por um mais natural, aprende a fazer produtos de limpeza em casa...e quando olha para o lado só encontra julgamentos? Atire a primeira pedra quem nunca passou por isso! Rs

Para dar dicas de como vencer essas barreiras na família, convidamos a Marina Maia, do perfil @MarinaSimplifica para dividir com a gente sua experiência. Ela é mãe de duas crianças, e junto com seu marido tem transformado seus hábitos em busca de uma vida cada vez mais prática, feliz e cheia de respeito ao nosso planeta.

Curiosa pelas dicas dela? 🤩 Então, vem conferir nosso papo!

- Marina, para começar, quais dicas você daria para quem está em busca de novos hábitos, mas que convive de forma muito intensa com a família e essa não tem o mínimo interesse por hábitos mais sustentáveis?

Vixe! Muuuuita conversa. É preciso deixar claro o que você quer e como precisa que as pessoas o façam. E escolher prioridades! Não vai dar para forçar o seu modo de vida nas outras pessoas, mas você pode escolher o que importa mais para você.

Você precisa se perguntar: o que é mais importante para mim? Por exemplo: que a criança fique menos em telas (TV e celular) ou que coma uma comida saudável, sem doces? Ou que tenha menos brinquedos?

Escolha poucos itens e converse com os parentes para fazê-los entender o quanto eles são importantes para você.

- No furacão da chegada de um bebê, muitas mães se sentem inseguras para bancar certas mudanças por medo e/ou falta de apoio dos familiares. O que você as aconselharia?

Aqui é bem importante focar nas prioridades mesmo! Porque são realmente muitas mudanças, muita coisa para a gente pensar e vem muita pressão dos familiares, porque eles acham que sabem tudo, pela experiência de terem criado outros bebês.

Mas, o que eles não sabem é o que VOCÊ quer para o SEU bebê. Então, você tem que saber bem os motivos das suas escolhas, porque algumas delas podem dar mais trabalho. Como, por exemplo, a fralda de pano. E você talvez precise de um apoio maior de sua rede.

Então, vale estar muito segura de sua decisão e se arriscar um pouquinho também. Isso faz parte 😊

Outra dica importante, não é sair anunciando o que você vai fazer. Você não precisa sair falando para todo mundo, por exemplo, que vai alugar as roupas do seu bebê. Senão, você realmente vai ter que lidar com muitas opiniões. Se alguém perguntar, ok. Mas se preserva. Faz as coisas do seu jeito, no seu tempo e as pessoas vão percebendo, mesmo sem você falar. Elas vão ver com o tempo como você teve um enxoval mais prático, como economizou e todos os outros benefícios das suas escolhas.

- Você teria algumas dicas de negociação com os familiares? Acha que é um bom caminho?

Bom, por aqui, a questão dos presentes e das telas são as que trazem mais atrito com os familiares. Eu costumo usar uma conversa franca mostrando as consequências dessas coisas para as crianças. Por exemplo, “você percebeu o quanto ele ficou nervoso naquele dia, após ter ficado o dia todo na TV? Ou o quanto os irmãos brigam quando você dá o celular para eles mexerem?”, “Você percebe que quando traz presente toda vez que vem, que quando você chega, as crianças já estão mais interessadas no presente do que na sua chegada em si?”.

- Para quem já tem um bebê, quais dicas você daria para quem quer estimular que a criança tenha consciência de suas ações desde pequenininha?

Agindo o que você quer que ele aprenda. Consumindo de forma consciente não só para as coisas do bebê/criança, mas também para a suas coisas. Aqui em casa, a gente explica muitas decisões para eles, mas a gente percebe que eles absorvem muito mais o que nós fazemos do que o que tentamos explicar como fazer.

- O que você percebe de positivo ao incentivar desde pequenos que seus filhos se preocupem com o que consomem e com os resíduos que geram?

Acho que eles já são mais conscientes sobre tudo isso. Eles têm curiosidade de saber como e de que são feitas as coisas, de onde vem e para onde vão, etc. Mas ainda são crianças, e é bem difícil ainda para eles perceber a diferença de querer e precisar, por exemplo.

Mesmo assim, eles já têm mais noção também de escolher um brinquedo de melhor qualidade que vai dar mais espaço para brincadeiras ou evitar sacolinhas plásticas nas compras. Muitas vezes, eles até puxam a orelha dos parentes eles mesmos, falando que não precisam de alguma coisa que querem dar, chamando atenção para as sacolinhas do mercado, ou para algum consumo excessivo. As crianças são a melhor polícia do consumismo, porque não tem vergonha de falar a verdade!

- Sobre a sua história, como você conheceu o minimalismo e como começou sua mudança de hábitos para um consumo mais consciente?

Só conheci o minimalismo depois que já era minimalista! Na verdade, comecei a me incomodar com a quantidade de coisa que nós tínhamos, depois de a gente comprar um apartamento e meu marido ter um problema sério de saúde. Ali, percebemos que a gente não precisava de tudo aquilo e o que era realmente importante. Então, acabou sendo um processo, desde 2012, quando passamos a tirar toda aquela importância das coisas. Então, começamos a consumir menos, a pensar nas nossas escolhas de comprar ou não, em tamanho de casa, de carro, etc.

- Na época, como foi esse processo com seu marido e seus filhos?

Não tínhamos filhos ainda, mas eu estava grávida e uma das primeiras coisas que fizemos foi ter no enxoval do bebê somente o necessário. Evitamos grandes compras, só porque diziam que a gente ia precisar daquelas coisas, por exemplo.

- Seu marido embarcou nessa de primeira com você? Se não, como conseguiu quebrar a resistência dele?

Sim! Inclusive, depois foi ele que encontrou leituras sobre o assunto e descobriu que esse incômodo com o consumismo e esse desejo de ter menos coisas, tinha o nome de minimalismo.

- E como foi a reação e relação da sua família (pais, sogros..)com relação a esses hábitos?

Eles não perceberam muito, só mesmo depois que as crianças nasceram. Aí rolou aquela pressão que a gente teria que comprar mais coisas, mais roupas, mais brinquedos, mas mantivemos o que acreditamos. E, também rola até hoje a pressão para dar mais presentes para as crianças e isso temos que de vez em quando conversar para garantir que entendam o nosso lado.

- Você buscou incentivá-los de alguma forma a embarcar nessa com vocês? Caso sim, o que fez?

Bom, então...eu sempre fui “a louca” da família, aquela que quis fazer tudo diferente. Por isso, nem ousei tentar mudar alguma coisa neles. Sempre fiquei na minha, fazendo as coisas do meu jeito e respondendo quando alguém se interessava. Mas, depois de abrir meu perfil no Instagram, é que a família começou a perceber que “a louca” aqui estava tendo o trabalho reconhecido. Algumas pessoas hoje já conseguem ver melhor o meu ponto de vida. Já ouvi da minha sogra que incentivei ela a simplificar as coisas, por exemplo, passando menos roupas e tendo um armário com menos itens.

- Foi/É preciso ceder em algum momento? Você estipula algum limite pessoal? Se sim, qual é o seu, por exemplo?

Sim. Como falei, a questão dos presentes ainda é um problema. Esse ano piorou também por causa da pandemia e as pessoas da família quiseram compensar mais a distância com coisas. Outra coisa que me incomoda também, é a ideia que a família sempre passou para mim e que hoje tenta passar (mas eu não deixo) para os meus filhos de que a gente TEM que ser de uma certa maneira, que tem que se encaixar em um molde que a sociedade tem para a gente.

Limite eu até tenho, mas não estipulo. Vou percebendo as coisas e reagindo se for preciso.  

- Você tem alguma história legal dessa transformação coletiva?

Sim! Como já falei, a minha sogra desapegou de muita coisa e deixou de comprar muita coisa. Deixou de perder tempo passando roupa, por causa de como ela me vê, e ela hoje diz que eu simplifiquei a vida dela.

Minha mãe é mais resistente a fazer as coisas como eu, mas ela geralmente tenta as loucuras na cozinha. Ela aprendeu a desperdiçar menos alimentos e até meu pai me liga de vez em quando para saber como guardar algum alimento para não perder ele e como descartar algum resíduo diferente.

E aí, gostou do papo com a Marina? Está nessa batalha também?

Compartilha com a gente sua história! Vamos juntas vencendo essas barreiras 😊

 

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